Prisão de ventre é um problema comum, mas nem sempre a dificuldade para evacuar está relacionada apenas ao intestino.
Se você faz muita força, passa vários minutos no vaso sanitário ou sente que as fezes “não conseguem sair”, mesmo quando há vontade de evacuar, o problema pode estar na forma como os músculos do assoalho pélvico funcionam.
Esses músculos ficam na base da pelve e participam do controle da urina, das fezes e da evacuação. Para evacuar normalmente, eles precisam relaxar no momento certo. Quando isso não acontece, a passagem das fezes se torna mais difícil, mesmo que o intestino esteja funcionando adequadamente.
Nem toda constipação tem a mesma causa
A constipação intestinal pode estar relacionada à alimentação, à baixa ingestão de água, ao uso de medicamentos, a doenças intestinais ou a alterações hormonais. Porém, em algumas pessoas, o principal problema é a dificuldade de coordenar os músculos durante a evacuação.
Essa condição é conhecida como dissinergia evacuatória.
Apesar do nome complicado, significa apenas que os músculos que deveriam relaxar acabam contraindo ou não relaxam o suficiente durante o esforço para evacuar.
O resultado pode ser:
- Necessidade de fazer muita força;
- Sensação de evacuação incompleta;
- Fezes que parecem “parar na saída”;
- Necessidade de retornar ao banheiro pouco tempo depois;
- Uso frequente de laxantes ou supositórios;
- Sensação de bloqueio durante a evacuação.
Fazer força para evacuar não é normal
Muitas pessoas convivem com esse problema durante anos e acreditam que “sempre foram assim”.
Mas fazer força excessiva pode trazer consequências.
Além do desconforto, esse hábito aumenta repetidamente a pressão dentro do abdômen, podendo contribuir para o surgimento ou agravamento de hemorroidas, fissuras anais e prolapso dos órgãos pélvicos em pessoas predispostas.
Por isso, mais importante do que evacuar todos os dias é conseguir evacuar sem esforço excessivo e com sensação de esvaziamento completo.
Como a fisioterapia pélvica pode ajudar?
A avaliação em fisioterapia pélvica busca entender por que a evacuação está difícil.
São observados fatores como:
- Funcionamento do assoalho pélvico;
- Capacidade de relaxamento da musculatura;
- Coordenação durante o esforço evacuatório;
- Padrão respiratório;
- Postura utilizada no vaso sanitário;
- Hábitos intestinais.
A partir dessa avaliação, o tratamento é individualizado.
Dependendo da necessidade de cada pessoa, podem ser utilizados exercícios de coordenação muscular, técnicas de relaxamento, treinamento evacuatório, orientações sobre postura e respiração e biofeedback, um recurso que ajuda o paciente a visualizar o funcionamento da musculatura durante os exercícios.
Pequenas mudanças podem fazer diferença
Alguns hábitos simples podem facilitar a evacuação:
- Utilizar um apoio para os pés no vaso sanitário;
- Evitar prender a respiração ao fazer esforço;
- Respeitar a vontade de evacuar;
- Não permanecer longos períodos sentado no vaso;
- Manter uma alimentação rica em fibras e boa ingestão de água, conforme orientação do profissional de saúde.
Essas medidas ajudam, mas não substituem uma avaliação quando a dificuldade para evacuar é frequente.
Quando procurar ajuda?
Se você apresenta constipação há meses, precisa fazer muita força para evacuar ou sente que o intestino nunca esvazia completamente, vale a pena investigar a participação do assoalho pélvico.
Em muitos casos, identificar a causa correta evita tratamentos repetitivos e permite um plano terapêutico mais direcionado.
Perguntas frequentes
Quem tem constipação sempre precisa de laxantes?
Não. O tratamento depende da causa. Quando existe uma alteração na coordenação do assoalho pélvico, os laxantes podem não resolver completamente o problema.
A fisioterapia pélvica substitui o acompanhamento com o gastroenterologista?
Não. Os tratamentos são complementares. A fisioterapia atua na função muscular, enquanto o gastroenterologista investiga e trata as possíveis causas intestinais e clínicas da constipação.
Homens também podem fazer fisioterapia pélvica para constipação?
Sim. Homens e mulheres podem apresentar alterações do assoalho pélvico que dificultam a evacuação.
Conclusão
Evacuar não deve ser um momento de esforço intenso ou desconforto. Se você sente que precisa fazer força para que as fezes saiam ou que o intestino nunca esvazia completamente, o problema pode não estar apenas no intestino.
Uma avaliação em fisioterapia pélvica pode identificar alterações na coordenação do assoalho pélvico e ajudar você a recuperar uma evacuação mais confortável e eficiente.