A força de fazer cocô é a mesma força do parto?

“Na hora do parto é só fazer força de fazer cocô.”

Se você está grávida, provavelmente já ouviu essa frase. Embora ela seja muito comum, não explica o que realmente acontece durante o período expulsivo.

A força utilizada no parto é diferente da força de fazer cocô. Ela é mais suave, acontece no momento certo, acompanha as contrações do útero e depende da coordenação entre respiração, abdômen, pelve e assoalho pélvico.

Entender essa diferença ajuda a gestante a participar do nascimento de forma mais consciente e pode tornar o período expulsivo mais eficiente.

A força do parto não é uma força máxima

Quando fazemos força para fazer cocô, normalmente prendemos a respiração, aumentamos bastante a pressão dentro do abdômen e realizamos um esforço intenso até eliminar as fezes.

No parto, a lógica é diferente.

Durante o período expulsivo, a força acontece de forma gradual e acompanha o trabalho do útero. Entre uma contração e outra, a mulher pode descansar, respirar e recuperar energia.

O objetivo não é empurrar o bebê com toda a força possível, mas permitir que ele desça progressivamente pelo canal de parto.

O assoalho pélvico precisa relaxar

Outro ponto importante é o comportamento do assoalho pélvico.

Enquanto em muitos esforços do dia a dia essa musculatura reage aumentando sua atividade para oferecer suporte aos órgãos pélvicos, durante o nascimento ela precisa fazer o oposto: relaxar e se alongar para permitir a passagem do bebê.

Por isso, fazer muita força, prender a respiração ou contrair o períneo não torna o expulsivo mais eficiente. Pelo contrário, pode dificultar a coordenação necessária nesse momento.

Então como fazer força no parto?

Não existe uma técnica única que sirva para todas as mulheres.

A forma de participar do período expulsivo depende da evolução do trabalho de parto, das orientações da equipe e da resposta do próprio corpo.

Por isso, mais importante do que decorar uma técnica é aprender a reconhecer o momento adequado, utilizar a respiração a seu favor e permitir que o assoalho pélvico relaxe enquanto o bebê desce.

É exatamente isso que a fisioterapia pélvica trabalha durante a gestação.

Como a fisioterapia pélvica prepara para o parto?

A preparação para o parto vai muito além do fortalecimento do períneo.

Durante as consultas, a gestante aprende sobre as fases do trabalho de parto, compreende como acontece o período expulsivo e desenvolve habilidades que poderão ser utilizadas no nascimento.

O acompanhamento pode incluir:

  • Treinamento respiratório;
  • Consciência corporal;
  • Relaxamento do assoalho pélvico;
  • Mobilidade da pelve;
  • Posições que favorecem o trabalho de parto;
  • Preparo do períneo, quando indicado;
  • Estratégias para o período expulsivo.

O objetivo é que a mulher chegue ao parto conhecendo melhor o próprio corpo e participe desse momento com mais segurança, confiança e autonomia.

A força do parto influencia a laceração?

A laceração perineal é um evento multifatorial.

O preparo físico e emocional da gestante, o ambiente do parto, a liberdade de movimento, a assistência da equipe e a forma como o período expulsivo acontece podem influenciar esse processo.

Embora nenhuma estratégia elimine completamente o risco de laceração, aprender a coordenar respiração, relaxamento e força pode favorecer um expulsivo mais fisiológico e reduzir tensões desnecessárias sobre o períneo.

Perguntas frequentes

A força de fazer cocô é igual à força do parto?

Não. Apesar de a comparação ser comum, a força do parto é mais suave, progressiva e coordenada. Ela acompanha as contrações do útero e depende do relaxamento do assoalho pélvico, não apenas de um esforço intenso.

Prender a respiração ajuda no parto?

Nem sempre. Em muitos casos, prender a respiração por tempo prolongado pode dificultar a coordenação do período expulsivo. A respiração faz parte da preparação para um parto mais fisiológico.

A fisioterapia pélvica ajuda no parto normal?

Sim. A fisioterapia pélvica prepara a gestante para compreender o funcionamento do corpo, melhorar a mobilidade, aprender estratégias de respiração, relaxamento e posições que podem favorecer o trabalho de parto.

Com quantas semanas devo começar a preparação para o parto?

O ideal é iniciar o acompanhamento a partir das 13 semanas de gestação. Assim, é possível desenvolver consciência corporal, trabalhar mobilidade, respiração, relaxamento do assoalho pélvico e preparar o corpo de forma gradual para o trabalho de parto.

Preparar-se para o parto é muito mais do que aprender a fazer força

O período expulsivo não depende de um esforço máximo. Ele envolve coordenação, respiração, mobilidade, relaxamento e conhecimento sobre o próprio corpo.

Se você deseja viver o parto com mais segurança e confiança, a fisioterapia pélvica pode ajudar na sua preparação desde o início da gestação, oferecendo um acompanhamento individualizado para cada fase desse processo.