Prolapso: a cirurgia é sempre a melhor solução?

Receber o diagnóstico de prolapso costuma gerar muitas dúvidas. É comum ouvir frases como: “Sua bexiga caiu”, “o útero está baixo” ou “você vai precisar operar”.

Mas será que a cirurgia é sempre a melhor opção?

A resposta é não.

Em muitos casos, a fisioterapia pélvica é recomendada como tratamento de primeira linha para mulheres com prolapso, principalmente quando os sintomas são leves ou moderados. O objetivo é aliviar os sintomas, melhorar a função do assoalho pélvico e devolver qualidade de vida.

O que é o prolapso?

O prolapso dos órgãos pélvicos acontece quando estruturas como a bexiga, o útero ou o reto perdem parte do suporte e se deslocam em direção à vagina.

Muitas mulheres conhecem essa condição como “bexiga caída”, embora o prolapso também possa envolver outros órgãos da pelve.

Os sintomas mais comuns são:

  • Sensação de peso ou pressão na vagina;
  • Sensação de “bola” ou volume na região íntima;
  • Dificuldade para urinar;
  • Sensação de que a bexiga não esvazia completamente;
  • Dificuldade para fazer cocô;
  • Desconforto ao permanecer muito tempo em pé ou durante atividades físicas.

É importante lembrar que o grau do prolapso nem sempre corresponde à intensidade dos sintomas. Algumas mulheres apresentam prolapsos mais avançados e sentem pouco desconforto, enquanto outras têm prolapsos menores, mas bastante sintomáticos.

Quando a cirurgia é indicada?

A decisão pela cirurgia depende de diversos fatores, como os sintomas, o impacto na qualidade de vida, o tipo de prolapso, as expectativas da paciente e a avaliação do ginecologista.

Nem toda mulher com prolapso precisa ser operada.

Em muitos casos, especialmente quando os sintomas ainda permitem uma boa qualidade de vida, o tratamento conservador pode ser uma excelente alternativa.

Como a fisioterapia pélvica pode ajudar?

A fisioterapia pélvica não “coloca os órgãos no lugar”. Seu papel é melhorar o funcionamento do sistema de sustentação da pelve, aliviar sintomas e ensinar estratégias para reduzir a sobrecarga sobre essa região.

A avaliação é individualizada e considera muito mais do que apenas a força do assoalho pélvico.

Também podem ser avaliados:

  • Respiração;
  • Coordenação entre diafragma, abdômen e assoalho pélvico;
  • Postura;
  • Hábitos intestinais e urinários;
  • Forma como a mulher realiza esforços no dia a dia.

O tratamento pode incluir:

  • Treinamento da musculatura do assoalho pélvico, quando indicado;
  • Exercícios para melhorar a coordenação entre respiração, abdômen e pelve;
  • Orientações para controlar a pressão dentro do abdômen durante os esforços;
  • Reeducação de hábitos urinários e intestinais;
  • Estratégias para as atividades do dia a dia e para a prática de exercícios físicos.

Cada plano de tratamento é elaborado de acordo com os sintomas, objetivos e necessidades de cada mulher.

Fortalecer o assoalho pélvico sempre resolve?

Não.

Embora o fortalecimento seja importante em muitos casos, algumas mulheres precisam, antes de tudo, aprender a respirar melhor, coordenar os movimentos do abdômen e reduzir aumentos desnecessários da pressão abdominal.

Por isso, fazer exercícios por conta própria nem sempre é a melhor escolha. Uma avaliação especializada permite identificar quais estratégias são mais indicadas para cada caso.

Perguntas frequentes

Toda mulher com prolapso precisa de cirurgia?

Não. Muitas mulheres apresentam melhora importante dos sintomas com tratamento conservador, incluindo a fisioterapia pélvica. A necessidade de cirurgia deve ser avaliada individualmente.

A fisioterapia pélvica cura o prolapso?

A fisioterapia não tem como objetivo “curar” ou reposicionar os órgãos pélvicos. Ela busca reduzir os sintomas, melhorar a função do assoalho pélvico e ajudar a mulher a realizar suas atividades com mais conforto e segurança.

Quem tem prolapso pode fazer exercícios físicos?

Na maioria dos casos, sim. O importante é adaptar os exercícios e aprender estratégias para controlar a pressão dentro do abdômen e evitar sobrecargas desnecessárias.

A respiração influencia o prolapso?

Sim. A respiração faz parte do sistema que regula a pressão dentro do abdômen. Quando diafragma, abdômen e assoalho pélvico trabalham de forma coordenada, é possível reduzir a sobrecarga sobre a pelve durante diversas atividades.

Quando devo procurar um fisioterapeuta pélvico?

Se você sente peso na vagina, percebe uma “bola” na região íntima, tem dificuldade para urinar ou fazer cocô, ou recebeu o diagnóstico de prolapso, uma avaliação pode ajudar a definir o tratamento mais adequado para o seu caso.

O diagnóstico de prolapso não significa cirurgia

Receber o diagnóstico de prolapso não significa que a cirurgia será o próximo passo.

Em muitos casos, a fisioterapia pélvica pode aliviar os sintomas, melhorar a função do assoalho pélvico e devolver mais segurança para as atividades do dia a dia.

Se você recebeu esse diagnóstico ou percebe sintomas de prolapso, agende uma avaliação. Um tratamento individualizado é o primeiro passo para decidir, junto com sua equipe de saúde, a melhor abordagem para você.